Cenário Econômico – Junho/2019

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O mercado de renda variável, termômetro das expectativas dos agentes do mercado financeiro, fechou o mês de junho novamente em alta tanto no Brasil quanto no exterior. O motor destas expectativas foi principalmente a perspectiva de redução das taxas de juros dos EUA, diante da desaceleração da sua atividade econômica. No Brasil, a bolsa valorizou-se mais de 4% e a curva de juros, assim como nos EUA, segue em queda com o otimismo acerca da aprovação da Reforma da Previdência e o recuo da inflação.

A guerra comercial entre as maiores economias do mundo ganhou mais um capítulo no mês que passou. A reunião do G20 resultou na promessa de uma trégua nas elevações das tarifas de importações de ambos os países, além de indicar a retomada das negociações até então suspensas. Isto resultou em um maior ânimo do mercado financeiro global, com reflexos nos países emergentes como o Brasil. Além disto, diante dos dados mais tímidos da economia norte-americana, o FED (banco central dos Estados Unidos) sinalizou, através de relatórios e depoimento de seu presidente, de que poderá haver uma redução na taxa de juros ainda no mês de julho. Se isto se confirmar, as portas para uma redução da taxa de juros no Brasil ficarão ainda mais abertas.

O único obstáculo para um ciclo de corte de juros no Brasil permanece sendo a Reforma da Previdência, embora os mercados já deem como certa a sua aprovação, restando dúvidas apenas no montante a ser economizado e na data de sua implantação. A aprovação do texto na Comissão Especial e a certeza de que o mesmo ocorrerá nas duas Câmaras do Congresso movimentou a B3 (antiga Bovespa), cujo índice Ibovespa registrou mais de 4% de alta no mês, acumulando quase 11% no primeiro semestre.

No mercado de renda fixa, a curva de juros acompanha os reflexos da baixa atividade econômica e do recuo da inflação, apresentando baixos retornos no curto prazo e maiores nos prazos mais longos. Isto reforça ainda mais a tendência de corte da taxa SELIC, embora não há indicativo de que isto ocorrerá antes dos trâmites da Reforma, mesmo com a declaração do presidente Banco Central de que não há elo mecânico entre os dois movimentos. Sendo assim, a depender do andamento das votações no plenário da Câmara e do Senado, a conclusão poderá se dar após o recesso parlamentar, postergando o primeiro corte na SELIC para o mês de setembro ou até mesmo para depois disto.

Os títulos públicos federais também responderam positivamente ao cenário prospectado, com ganhos importantes nos títulos de longo prazo. O índice IMA-Geral, índice que pondera todos os principais títulos públicos do mercado, apresentou alta de 2% no mês, e acumula 7,9% de alta no ano. O principal responsável por essa alta foi o IMA-B5+, que pelo segundo mês seguido subiu mais de 5%, e já acumula mais de 21% em 2019. Outro destaque fica para o índice IRF-M1+, que registrou alta de 2,7% em junho em virtude das alterações na curva de juros também nos vértices de curto prazo.

Para os próximos meses, vislumbra-se um ambiente de volatilidade para os ativos de renda variável e títulos públicos de longo prazo, tendo em vista que as votações da PEC da Reforma da Previdência não serão tranquilas. Portanto, até a conclusão de todos os trâmites, recomenda-se cautela na tomada de decisão em títulos ou índices voláteis. Por outro lado, é desejável um alongamento moderado dos prazos das carteiras de investimentos, diante da iminente redução da taxa SELIC nas próximas reuniões do COPOM.

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