CENÁRIO ECONÔMICO GESTOR UM – Agosto/2019

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     Na contramão da tendência observada em 2019 até agora, o mês de agosto foi de rendimentos em média negativos dos títulos públicos brasileiros. As pautas domésticas, como reforma da previdência, tributária, privatizações etc., permanecem tramitando em suas respectivas instâncias, com perspectivas de aprovação sem muitos percalços. Todavia, a tensão no mercado internacional demonstra-se o ponto mais sensível para o ingresso de capitais estrangeiros nos países emergentes, freando os mercados e atingindo também o Brasil.

     Novamente EUA e China protagonizaram um novo capítulo da sua guerra comercial. Desta vez, a China anunciou aumentos de tarifas sobre importações advindas de seu adversário econômico, que imediatamente anunciou retaliações. Recentemente, entretanto, foram iniciadas tratativas para articular uma reunião em outubro entre ministros dos dois países, o que pode significar uma trégua no médio prazo. Outro fator de atribulação em agosto foi o aprofundamento da crise na Argentina, que anunciou um default parcial da sua dívida pública, o que contribui para as instabilidades no Brasil, um de seus principais parceiros econômicos. No velho continente e na Ásia, os indicadores de atividade econômica voltaram a decepcionar, antecipando o que pode se tornar o início de um ciclo de recessão da economia mundial.

     Os reflexos deste cenário foram sentidos de maneira importante no Brasil. O índice Ibovespa apresentou um recuo de 0,67%, acompanhado de uma forte alta do dólar, que subiu quase 9% no mês e atingiu o patamar de R$4,15. Ainda que o resultado do PIB trimestral tenha surpreendido positivamente o mercado, evitando que o Brasil entrasse em uma chamada recessão técnica, isto não foi suficiente para superar o pessimismo com a economia global e a dúvida no posicionamento do Brasil neste interim. Desta forma, os investidores da bolsa brasileira permanecem aguardando definições no cenário externo para tomar posições mais definidas. Até lá, deveremos observas resultados mais tímidos.

     Os mesmos motivos trouxeram resultados adversos para os títulos públicos brasileiros. O índice IMA-Geral, que representa uma cesta dos principais títulos, obteve o menor resultado dos últimos 12 meses, variando 0,16% no mês de agosto. A curva de juros futuros voltou a subir no resultado mensal pela primeira vez desde fevereiro, prejudicando os preços dos títulos pós-fixados. O índice IMA-B apresentou queda de 0,40%, enquanto o IMA-B5+ variou -0,77% e o IMA-B5 0,05% positivos. Os índices pré-fixados, por outro lado, apresentaram melhores resultados em comparação aos já citados, especialmente o IRF-M1, que variou 0,55% no mês. O IRF-M e IRF-M1+ cresceram 0,26% e 0,10% respectivamente. Apesar deste resultado no mês, o resultado do IPCA mensal (0,11%), associado ao nível ainda discreto da atividade econômica, cedem espaço para novos cortes na taxa básica de juros SELIC, que provavelmente alcançará o patamar de 5% a.a. até o final de 2019. Sendo assim, os títulos públicos, especialmente pré-fixados, permanecem com algum espaço para valorização ainda que moderada. O foco para este momento, portanto, deve ser a manutenção dos ganhos obtidos ao longo de 2019 apostando na diversificação.

     Desta forma, o horizonte para os períodos próximos aponta para uma mudança importante, porém não radical, de perfil das carteiras de investimento. Devemos apostar um pouco mais na parcela pré-fixada dos índices de títulos, consequentemente reduzindo posição nos índices pós-fixados. Isto poderá favorecer os rendimentos até o final do ano, quando se desenhará uma nova perspectiva para os investimentos, dentro ou não da renda fixa.

Ben-Hur dos Santos Petry

Economista – CORECON nº 8689

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