CENÁRIO ECONÔMICO GESTOR UM – Setembro/2019

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O mês de setembro, diferentemente do observado no mês anterior, registrou alta significativa dos principais títulos públicos de médio e, em especial, longo prazos. Sem mudanças importantes no andamento das pautas internas no Congresso, a dinâmica foi ditada pela situação externa, onde foram verificados dois fatores principais: redução da tensão entre EUA e China, que posteriormente delinearam um acordo nos primeiros dias de outubro; e os cortes nas taxas de juros dos principais bancos centrais do mundo.
A recente promessa de acordo entre os líderes norte-americanos e chineses para dar fim à guerra comercial entre os dois países animou os mercados globais no mês de setembro, após um agosto com enfrentamentos de ambos os lados. O resultado desta promessa foi um documento de acordo parcial sobre o mercado de produtos agrícolas, política cambial e propriedade intelectual, ainda não assinado por Trump e Xi Jinping, porém apresentado no dia 12 de outubro como passo significativo para a resolução definitiva deste imbróglio que já dura cerca de 15 meses. Apesar disto, ainda resta algum ceticismo sobre a real confirmação do acordo, tendo em vista que a China já demonstrou que deseja debater alguns pontos sobre a sua primeira fase de implantação.
No Brasil, os mercados de renda fixa e variável responderam favoravelmente a este cenário. O Ibovespa fechou o mês em alta de 3,57%, recuperando a rentabilidade do trimestre. O saldo de fluxo de capitais estrangeiros fechou positivamente no mês, embora este saldo tenha ficado abaixo de US$1 bilhão. Em agosto houve uma saída líquida de quase US$11 bilhões, o que significa que o investidor estrangeiro ainda não voltou a aportar recursos no Brasil, mas está diminuindo o ritmo de retiradas. A cotação do dólar americano fechou o mês novamente em alta, dessa vez de 0,33%, após redução da taxa de juros doméstica e intervenções do Banco Central.
No mercado de títulos públicos federais, as perspectivas de redução maior que a prevista para a taxa SELIC impulsionaram fortemente os preços negociados, medidos pelos índices IMA. O IMA-Geral, que congrega proporcionalmente os principais subíndices, variou 1,46% no mês de setembro, quarta maior alta do ano de 2019. O novo fechamento da curva de juros futuros para todos os prazos impulsionou os preços dos títulos, especialmente os de maior duration. O IMA-B5+ registrou variação de 3,73% no mês, e o IRF-M1+ (de prazo médio de menos de 3 anos) variou 1,87%, terceira maior alta do ano para este índice. Mesmo o IRF-M1, índice de títulos prefixados de curto prazo, variou 0,64%, bastante acima da média para este índice.
Mesmo com um mês de setembro bastante positivo, a maior surpresa do período foi a variação do IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo. Pela primeira vez em 2019, o índice registrou deflação de 0,04%, puxada principalmente pela queda nos preços dos alimentos. Este fator, associado à lenta recuperação da atividade econômica (o índice IBC-Br para agosto, divulgado em outubro, variou abaixo da mediana das expectativas) reforça ainda mais a necessidade de novos cortes na taxa SELIC, cujas previsões do mercado já projetam 4,75% a.a. até final de 2019, com algumas casas estimando até mesmo 4,50% a.a. para o mesmo período.
Este conjunto de fatores confirma que o movimento de maior aposta em índices de títulos prefixados demonstrou-se acertada. Desta maneira, mantemos nossas expectativas estáveis para os próximos períodos, com a atenção voltada para os próximos movimentos do Banco Central e de como o mercado de capitais reagirá.

Ben-Hur dos Santos Petry

Economista – CORECON nº 8689

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