Cenário Econômico Gestor Um – Novembro/2019

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O mês de novembro foi de alteração nas expectativas para a economia no curto e médio prazo. Pela segunda vez em 2019, a curva de juros futuros subiu em relação ao mês anterior, dada a revisão das expectativas para inflação, PIB e câmbio. Na renda variável, a melhora das projeções da atividade econômica no Brasil e no exterior refletiu-se em uma alta moderada do índice Ibovespa no mês, embora com volatilidade bastante considerável no período. O cenário externo, entretanto, tem um novo componente importante: a instabilidade política que perdura na América Latina e que consiste em um fator relevante de risco para o investidor estrangeiro.

A volatilidade do mercado brasileiro no mês deu-se em função de alguns fatores considerados como frustrantes para o capital brasileiro, como o fracasso do leilão da cessão onerosa da Petrobras, a mudança da jurisprudência em relação à prisão após condenação em segunda instância e a demora em maiores definições acerca da guerra comercial entre EUA e China. Todavia, as seguidas revisões para o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019 trouxeram otimismo para o andamento da economia no longo prazo, compensando estes fatores negativos. Em novembro, o índice Ibovespa registrou alta de 0,95%, acumulando variação de 23,15% neste ano, porém ainda 1,23% abaixo da máxima histórica registrada no início de novembro.

Se os resultados para a renda variável foram favoráveis em novembro, o mesmo não ocorreu para o investidor de títulos públicos. Pela segunda vez no ano, apenas, houve um movimento de abertura da curva de juros futuros, refletindo as novas perspectivas para a inflação doméstica e para a taxa de câmbio. O boletim Focus do dia 06/12 repete pela quinta semana seguida uma alta da expectativa para o IPCA no final do ano, ao mesmo tempo em que a taxa de câmbio saiu de R$4,00/US$ para R$4,15/US$ em 4 semanas. Desta forma, o forte movimento de queda nos contratos de juros futuros iniciado em maio deste ano encontrou um novo momento de realização de lucros, a exemplo do mês de agosto.

Os reflexos nos preços dos títulos públicos foram, no entanto, mais fortes do que os observados em agosto. De fato, o índice IMA-Geral, que reflete os preços de uma carteira de títulos públicos de diversos prazos, obteve seu pior resultado (-0,71%) em 2019. Uma queda desta magnitude não era observada desde maio do ano passado, mês da greve dos caminhoneiros que registrou queda de 1,43% deste índice. Dos principais Índices de Mercado ANBIMA, apenas o IRF-M1 obteve performance positiva em novembro, variando 0,33%. Também um índice de prazo relativamente curto, o IMA-B5 caiu 0,28% neste mesmo mês. Nos índices de longo prazo, naturalmente os resultados foram piores. O IRF-M1+ recuou 0,83%, e acumula 13,42% de rendimento no ano. O IMA-B5+, de duration muito mais longa, caiu 4,07% em novembro, porém permanece superando largamente todos os demais índices em seu rendimento acumulado no ano (27,06%).

O comportamento dos juros futuros prejudicou todos os títulos públicos, com exceção dos títulos de curtíssimo prazo. Porém, os títulos pós-fixados foram mais afetados do que os pré-fixados, o que demonstra que a estratégia de aumento em exposição em pré-fixados foi acertada. Espera-se, no entanto, que os índices de títulos pós-fixados recuperem uma parte deste revés ao passo que o COPOM confirme mais um corte na taxa SELIC para 4,50% a.a. na sua próxima reunião. Desta forma, paciência é uma virtude do bom investidor, e será necessária até o início do próximo ano.

Ben-Hur dos Santos Petry
Economista – CORECON nº 8689

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