Cenário Econômico Gestor Um – Dezembro/2019

postado em: Consultoria | 0

   O ano de 2019 encerrou de maneira positiva para os investimentos em renda fixa e renda variável, após um mês de novembro de freada nos rendimentos, especialmente dos títulos públicos federais. Mesmo com este percalço, 2019 foi um ano excepcional para o mercado financeiro, tendo em vista que os principais indicadores do mercado brasileiro quebraram recordes históricos. Mesmo com um cenário bastante tenso no exterior, com fuga de capital estrangeiro da bolsa brasileira, os fundamentos macroeconômicos domésticos se sobrepuseram a esta turbulência, permitindo que os ativos brasileiros mantivessem boa performance ao longo do período.
   A tônica do ambiente externo foi dada por um grande fator, que determinou a volatilidade dos mercados ao redor do mundo e ocupou os noticiários durante todo o ano – a guerra tarifária entre EUA e China. A política econômica adotada por Donald Trump, chamada por alguns economistas de “neomercantilismo”, e as respectivas reações por parte do governo chinês, indexaram o comportamento dos principais mercados internacionais, uns mais suscetíveis que outros. Não por acaso, esta disputa se dá em um momento de desaceleração geral dos indicadores de crescimento econômico, especialmente o norte-americano. O início de 2020 já aponta para o início de um processo de solução para este impasse, mas que ainda será pauta do mercado durante um bom tempo.
   Além da política comercial, os norte-americanos e as principais economias do mundo lançaram mão durante 2019 de outra ferramenta importante para enfrentar a desaceleração global da economia: a expansão monetária. Assim como nos EUA, o Banco Central Europeu reduziu sistematicamente suas taxas de juros de curto e médio prazos, que já se encontram em patamares negativos em termos reais. A política de quantitative easing empregada pelos europeus mostra resultados na atividade econômica, e não dá sinais de que este ciclo deve se encerrar no curto e médio prazo.
   No cenário doméstico, os fundamentos permanecem praticamente os mesmos do ano recém encerrado. O comportamento da inflação ainda é confortável, mesmo com a discreta aceleração no mês de dezembro, quando o IPCA variou 1,15%, fechando o ano em 4,31% e ultrapassando o centro da meta do Banco Central de 4,25%. A atividade econômica termina o ano com expectativa de crescimento do PIB um pouco acima das expectativas do início de 2019, e deve fechar acima de 1,10%. Esta aceleração, todavia, se dá na contramão do emprego formal e da atividade industrial, que não deram sinal de melhora substancial.
   Neste contexto, refletindo o otimismo com a agenda econômica do atual governo e com a redução da taxa básica de juros SELIC, a bolsa de valores brasileira cresceu 6,85% em dezembro, e foi o segundo melhor mês do ano. Durante 2019, o Ibovespa seguidamente quebrou máximas históricas, e acumulou 31,58% de valorização no período. Sua cotação em dólar americano, todavia, ainda permanece bastante abaixo do nível máximo alcançado em 2008, e o apetite do investidor estrangeiro para a bolsa brasileira será uma das principais incógnitas para 2020. Na renda fixa, o fechamento da curva de juros favoreceu os títulos públicos federais de todos os vencimentos, fenômeno mensurado pelos índices ANBIMA. O IMA-Geral, que representa uma composição de todos os subíndices, variou 0,90% no mês de dezembro – recuperando parcialmente as perdas de novembro – e 12,82% no ano. Dentre os subíndices, destaca-se o IMA-B5+, que cresceu mais de 30% no ano; e o IRF-M1+, de duration muito mais curta que o recém citado, que acumulou mais de 14% de rendimento no mesmo período.
   Nossas projeções dão conta de que o ano de 2020 será de grandes desafios para o investidor brasileiro, visto que o ciclo de corte de juros pode já ter terminado, o que significa que os ótimos rendimentos de 2019 em títulos públicos dificilmente se repetirão neste ano. Desta forma, o RPPS deverá buscar rentabilidade em índices de longo prazo, especialmente pré-fixados, e em outras modalidades de investimento diferentes da renda fixa. Com uma estratégia bem construída, 2020 pode ser um ano ótimo para os investimentos e para seu amadurecimento como gestor.

Ben-Hur dos Santos Petry
Economista – CORECON nº 8689

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.