Cenário Econômico – Março

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A crise da pandemia da COVID-19 já é uma das piores crises que o mundo enfrentou, tanto na questão sanitária quanto nos seus impactos na economia. Segundo o FMI, a recessão que seguirá nos próximos períodos será mais severa que a Crise de 1929, especialmente para países emergentes como o Brasil. Neste contexto de elevada incerteza, o mercado de títulos públicos e privados apresentou altíssima volatilidade no mês de março, refletida nos rendimentos de seus índices de referência, que fecharam o mês no campo negativo em sua quase totalidade.

O controle da doença no mundo está se dando de maneira bastante heterogênea, assim como a reação dos governos para mitigar os seus efeitos na economia. Na China, epicentro da pandemia, a contaminação passou a desacelerar no mês de março, ao contrário de países como Espanha e Itália, que vivem momentos críticos de caos nos seus sistemas de saúde. No Brasil, ao mesmo tempo em que as medidas de isolamento social parecem estar surtindo efeitos, o descompasso entre as lideranças técnicas e políticas contribuem para a criação de um ambiente de insegurança.

Sobre as medidas econômicas, também de maneira heterogênea se dão as medidas das autoridades monetárias dos diversos países. Os EUA e os países europeus apostam em pacotes de injeção direta de recursos através de investimentos setoriais ou transferências diretas para os cidadãos. O Brasil, por outro lado, aposta predominantemente na injeção de liquidez no sistema financeiro (cujos efeitos, se existirem, demorarão a ocorrer), e os pacotes de distribuição direta de recursos ainda permanecem em patamares bastante inferiores aos de países desenvolvidos e emergentes de grande porte.

No mercado de renda variável, a volatilidade foi severa, em função de diversos dados adversos com relação ao COVID-19 e suas consequências nos mercados internacionais. Entre os dias 9 e 18 de março, o mecanismo de circuit breaker foi acionado seis vezes, fato inédito até então. No mês, a queda foi de 29,9%, a maior desde a crise russa de 1998.

O mercado de títulos de renda fixa, diante do cenário incerto, também reagiu com volatilidade alta no mês de março. A elevação da curva de juros em toda a sua extensão fez com que os títulos públicos federais rendessem negativamente, com exceção para os de curtíssimo prazo. O índice IMA-Geral, que congrega uma carteira com os principais índices IMA, rendeu -1,98% em março, e acumula -0,99% em 2020. Os índices de títulos prefixados – os únicos que permaneceram positivos em 2020 até o fechamento do mês de março – também variaram negativamente embora em menores patamares, com os índices IRF-M1+ e IRF-M caindo 0,47% e 0,11% respectivamente. O índice IMA-B5+ caiu 10,93% no mês, trazendo consigo o IMA-B, que variou -6,97% no mesmo período.

O mercado de investimentos é o mesmo para todos, e não há solução mágica para contornar este cenário inédito na história moderna. A crise terá seu fim, e dependerá de soluções econômicas e, sobretudo, sanitárias. A rapidez com que as autoridades conseguirem conter o avanço do vírus será importante para a célere recuperação da economia. Até que isto ocorra, todo investidor colocará à prova sua capacidade de suportar o estresse inerente ao mundo dos investimentos, buscando não se precipitar no calor do momento.


Ben-Hur dos Santos Petry

Economista e sócio da Gestor Um Consultoria Financeira

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